A Causa da Morte de Jesus

João Barreto Jr.


“E estava próxima a páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados. E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas; e disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu Pai casa de venda. E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorará”. – João 2:13 a 17.


Se questionássemos algumas pessoas sobre qual a causa da morte de Jesus quais respostas nós teríamos?


Se esta pergunta fosse respondida por um médico, talvez a resposta obtida fosse que a morte de Jesus ocorreu devido ao flagelo físico que lhe foi imposto: os açoites, o desgaste físico durante a caminhada até o Gólgota, a coroa de espinhos, os enormes pregos nas mãos e pés, a lança perfurando-lhe de um lado ao outro, enfim, o conjunto de todas essas coisas levou Jesus à morte. Provavelmente um médico descreveria os detalhes do que tudo isso causaria no organismo humano até levá-lo à morte. Isso seria uma análise clínica.


Se a resposta fosse dada por um sociólogo, talvez ele fizesse uma análise das mudanças radicais que a mensagem e a pessoa de Jesus estavam causando e que sua morte teria sido o resultado de um intrincado conjunto de fatores sócio político religioso vigente na época onde não era levado em conta o indivíduo, mas a manutenção da estrutura estabelecida, mesmo à custa da vida de alguém; neste caso a de Jesus.


Enfim, poderíamos ter uma série de resposta a esta pergunta, mas qual foi o real motivo da morte de Jesus?


Antes de responder a esta questão vou resumir a trajetória da criação e afastamento do homem de Deus e a ação de Deus para trazer o homem novamente para junto de si:


1. A criação do homem foi distinta das demais coisas que foram criadas. Deus disse “produza o mar os peixes” e os peixes vieram a existir; “produza a terra a vegetação” e a vegetação veio a existir. Isto é muito interessante porque uma vez que os peixes vieram a existir, pelo poder da Palavra de Deus, a partir da água, sua vida está ligada à água. Uma vez apartado da água o peixe perece. Da mesma forma a vegetação, apartada da terra, a partir da qual veio a existir, ela perece. Ao criar o homem Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem” e a Bíblia declara que Deus formou o homem. O homem veio a existir a partir de Deus, Deus o gerou e colocou dentro dele parte de si. Assim também, apartado de Deus, o homem não tem vida.


2. Sabemos que o homem pecou contra Deus não dando crédito à Sua palavra e isso o levou à desobediência (a incredulidade foi a ação interna e a desobediência a ação externa). Toda ação pecaminosa é conseqüência direta da incredulidade ou descrédito à Palavra de Deus. Essa ação do homem causou separação entre ele e Seu Criador.


3. Deus não podia deixar as coisas como estavam. Os três poderes maiores do universo (Pai, Filho e Espírito Santo) fizeram um concerto para reverter essa situação: “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” – Hebreus 9:14.


4. Por que Jesus teve que se oferecer ao Pai para ser a pessoa que restauraria o relacionamento da humanidade com seu Criador? “E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei” – Ezequiel 22:30. Deus não encontrou entre os homens alguém apto para a tarefa de reconciliação da humanidade. “Na verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque” – Eclesiastes 7:20. Deus precisava de alguém totalmente puro, que nunca houvesse pecado, um semelhante não corrompido para através dele processar a nova criação, ou seja, o novo nascimento levando sobre Ele a iniquidade da humanidade. “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si” – Isaias 53:11. Jesus veio a esse mundo para resgatar as pessoas e conduzi-las novamente à presença do Criador. “Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto” – Efésios 2:13. Este foi o propósito da vida de Jesus e dele nunca desejou esquivar-se.


Quero fazer algumas considerações sobre a morte de Jesus.


“E foram a um lugar chamado Getsêmani, e disse aos seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu oro. E tomou consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, e começou a ter pavor, e a angustiar-se. E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai. E, tendo ido um pouco mais adiante, prostrou-se em terra; e orou para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora. E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres” – Marcos 14:32 a 36.


1. No Getesêmani, quando Jesus orou dizendo ao Pai que se possível passasse dele aquele cálice, Ele de modo algum estava referindo-se à sua crucificação, mas sim àquele momento em que Ele estava passando a ponto da sua alma estar angustiada até a morte, como Ele mesmo declara. Este era o cálice que Jesus pediu para Deus passar dele, pois Ele sabia que não era daquele tipo de morte que haveria de morrer. Em Hebreus 5:7 encontramos a seqüência deste momento da vida de Jesus onde está relatado que Ele nos dias da sua carne tendo oferecido clamor e lágrimas, orações e súplicas àquele que o podia livrar da morte foi atendido por causa da sua piedade. Deus ali no Getesêmani respondeu a oração de Jesus o fazendo passar por aquele momento preservando a sua vida, Deus fez passar aquele cálice de sofrimento e morte para que Ele pudesse ir até o Calvário morrer a morte que Ele sabia que tinha que morrer. “Mas Jesus disse a Pedro: Põe a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?” – João 18:11. Talvez ainda reste um questionamento em sua mente, quanto a isso, pelo fato de Jesus declarar: “não seja feito o que eu quero, mas o que tu queres”. A princípio parece haver aqui duas vontades divergentes, porém o que encontramos aqui é um exemplo maravilhoso de total rendição a um propósito. Esta frase dita por Jesus demonstra o quanto Ele estava rendido à vontade do Pai. Para exemplificar quero usar um exemplo pessoal: Quando eu estava cursando a Escola de Treinamento Ministerial surgiu em meu coração um desejo muito forte de um dia ser professor desta escola, até que um dia eu fui convidado para ser um dos professores. Para mim foi um momento de muita alegria, o momento em que vi um desejo meu ser realizado e eu mergulhei nisso. Dei a primeira das sete aulas a serem ministradas. Eu estava satisfeito, mas alguns sentimentos começaram a povoar meu coração a respeito do porque eu estava assim tão satisfeito, qual a minha motivação. Uma interrogação surgiu em minha mente: a vontade de quem eu estava realizando? Depois de um tempo considerando isso não restou dúvida para mim de que era vontade de Deus que eu ministrasse as aulas, mas também não restou dúvida de que eu estada ministrando aula por que eu queria, porque eu tinha vontade de fazer isso; essa vontade foi que me impulsionou. Desse momento em diante passei a entender que mesmo quando a minha vontade coincide com a de Deus ela deve ser realizada não por ser a minha vontade, mas porque, acima de tudo, é a vontade de Deus. É exatamente isso que está acontecendo ali no Getsêmani; Jesus está declarando que mesmo a vontade dele (ir para a cruz) estar em acordo com a do Pai, que tal não fosse feito por vontade dele, mas prioritariamente para cumprir a vontade e o propósito de Deus. Foi justamente por causa deste posicionamento de Jesus que Ele foi ouvido pelo Pai. O texto de hebreus citado a pouco diz que Ele foi ouvido por causa da sua piedade, isto é, por causa da sua devoção, da sua entrega incondicional, da sua auto-renúncia. Muitas vezes nós clamamos a Deus por algo que queremos e sabemos que Deus também quer para nós, mas não alcançamos; é porque oramos segundo a nossa vontade, pedimos para o nosso próprio deleite e não levamos muito em conta que Deus também quer o mesmo para nós. Eu quero que seja feito porque eu quero. Precisamos mudar esta postura. Mesmo que a nossa vontade coincida com a de Deus ela se estabelece quando realizada como vontade de dele.


2. Homem algum, por si só, tinha o poder de tirar a vida de Jesus. Os que tinham autoridade para julgar Jesus e sentenciá-lo à morte só a tinham porque Deus lhes havia dado tal autoridade. Isso fica claro na conversa de Jesus com Pilatos. “Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem” – João 19:10 e 11.


3. Jesus recebeu do Pai o mandamento de dar sua vida e tornar a tomá-la. “Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai” – João 10:17 e 18.


O texto que os discípulos se lembraram é uma referência ao Salmo 69:9 – “Pois o zelo da tua casa me devorou, e as afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim”.


Vamos considerar as palavras deste verso:


1. Zelo - amor cuidadoso, não apenas amar e fazer algo em favor num determinado ponto da história, mas algo contínuo, incessante.


2. Casa - Como já nos pronunciamos à pouco, casa de Deus refere-se hoje ao ser humano. A bíblia relata que certa vez Deus declarou o seguinte: “Eu virei a eles e neles farei morada”. O templo de Deus não é mais algo construído por mãos humanas, mas feito pelo próprio Deus. O apóstolo Paulo declara que somos feitura Sua, criados em Jesus Cristo. Em Cristo somos casa de Deus.


3. Causa - Motivo pelo qual um efeito é produzido. Aquilo que determina a existência de uma coisa; o que determina um acontecimento.


4. Devorou ou consumirá (em outras versões) - Ambos os termos significa, literalmente, morte; destruir-se, gastar-se até a total destruição.


5. Afrontas dos que te afrontam – Os pecados da humanidade em desobediência a Deus.


6. Caíram sobre mim – Literalmente uma referência a Isaias 53:11.


O amor cuidadoso pelas pessoas foi a causa da morte de Jesus. Ele morreu por cada um de nós.


Em todos os momentos da nossa vida o amor cuidadoso de Deus está presente a nosso favor. Ele prioritariamente entregou seu Filho visando nos libertar de toda prisão e nos colocar junto dele, promovendo assim o nosso bem estar integral. Foi para isso que Jesus doou sua vida.


Como você pode desfrutar dos efeitos dessa ação tão amorosa de Jesus? É muito simples: confessando-o como Senhor e Salvador pessoal.

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